A primeira bomba (primeira do dia, mas uma bomba muito conhecida dos Catarinenses) foi a notícia veiculada no Diário Catarinense (http://goo.gl/sBH49) falando sobre captação de recursos para restauração da Ponte Hercílio Luz. Na mesma notícia o jornal apresenta valores gastos desde 1960 na conservação da ponte - R$ 135 milhões, sendo que destes, R$ 100 milhões foram gastos depois de sua interdição em 1982.
Ou seja, mais de R$ 270 mil reais por mês para mantê-la de pé sem utilidade alguma. A ponte Pedro Ivo Campos, chamada de terceira ponte e a mais nova de todas, teve sua obra associada a um desvio de US$ 27 milhões envolvendo o nome do engenheiro Miguel Ourofino (alguém lembra? pois é o povo tem memória curta - mas para reforçar, o engenheiro foi aquele "filmado" pela rede globo em um jogo internacional de Voley que acabou resultando na viagem de representantes públicos de Santa Catarina ao exterior para efetuar sua prisão). Não tenho certeza, mas acho que se fala no custo da obra em US$ 55 milhões, sendo que uma parte dele revertido a outra empresa pública contratada para parte da obra (http://goo.gl/YtRRl).
Bem, não acaba ai ainda a indignação, em outra notícia li sobre a questão do trânsito nas imediações da UFSC (http://goo.gl/abZmB), a tão famigerada Rua Deputado Antônio Edu Vieira, que transforma a vida de qualquer pessoa (que por lá tenha que passar) em um inferno. Desde sua péssima conservação até seu completo congestionamento nos horários críticos.
![]() |
| Foto: Daniel Conzi / Agencia RBS |
Bem, citei as duas notícias para registrar minha profunda indignação pelos absurdos que sugerem para a solução do problema. No caso da ponte, falam que o Estado não dará mais dinheiro para sua restauração, mas falam da captação de recursos através da Lei Rouanet, que no resumo da história é dinheiro de imposto que não vai para o Governo e vai para essa obra, ou seja, no final das contas quem paga são os otários (é sim, somos otários) que ficam horas parados em congestionamentos devido ao péssimo planejamento urbano e a extrema morosidade em implementar soluções. Nem vou levantar aqui que essa captação de recursos através da lei cria excelentes brechas para que esse dinheiro circule sem os devidos cuidados com o erário. Que coloquem abaixo esse amontoado inútil de metal, que vendam a peso de ferro velho para reciclagem e utilizem esse dinheiro para implementar verdadeiras soluções para o trânsito em Florianópolis. E antes que venha algum defensor dessa Senhora (ponte Hercílio Luz) berrar sobre a importância da mesma como símbolo de Florianópolis, vejam que nossos símbolos duradouros e importantes, que custam muito menos para manter e se perpetuar estão deixando de existir. São as Rendeiras da Lagoa, os pescadores do Ribeirão, nosso Boi de Mamão - entre tantas outras manifestações que chegam a ser desconhecidas dos Catarinenses.
![]() |
| http://rendeirasdailha.blogspot.com/ |
![]() |
| http://www.portaldailha.com.br/noticias/lernoticia.php?id=7290 |
Nossa atração turística não é esse elefante cinza que inocentemente ainda provoca acidentes por turistas abobados (uma ínfima parte dos turistas que nos presenteiam com sua visita, trazendo mais cultura e recursos para Santa Catarina) praticamente parando sobre a ponte Colombo Sales para tirar fotos ou filmar a ponte Hercílio Luz - é, to falando com conhecimento de causa, já quase me acidentei por causa de um destes infelizes). Além ainda de gerar mais despesas ao erário por causa da palhaçada de colocar e tirar proteção lateral da ponte Colombo Sales por atrapalhar a vista.
Será que esquecem que temos mais de 100 praias (é sim, 42 era o número que se usava como chamada para destacar esse aspecto do nosso litoral, mas em estudos técnicos chegou-se a mais de 100 praias - http://goo.gl/HYELZ), que temos Fortes históricos, baladas internacionais (por mais que não seja a minha praia - com o perdão do trocadilho - ainda assim conta), gastronomia excepcional que vai dos tradicionais restaurantes da beira do mar até sofisticados Bistrôs.
Pior de tudo que a culpa não é da "Ponte Velha" que se mantém de pé, agonizante e moribunda, mas dos infelizes que teimam em mantê-la viva através de aparelhos, impedindo que siga seu caminho e permita que Florianópolis (e Santa Catarina) também evolua. Essa ponte deixou de ser útil como ferramenta da sociedade para virar instrumento de politicagem, não posso ser leviano e falar em desvio de dinheiro mas gostaria muito de ver uma auditoria severa nas contas dessa obra. Não posso falar em desvio de dinheiro mas posso sim afirmar que gastar R$ 100 milhões do meu bolso para manter de pé uma ponte que não me ajuda em NADA é, no mínimo, curtir com a minha cara. Não quero apelar para o discurso de quantas casas populares seriam construídas com o dinheiro que já foi gasto ou "dos tantos" que poderiam ser assistidos com esse dinheiro, a Cézar o que é de Cézar (o que se economizar com a ponte, que se invista na área). Necessitamos urgente de transporte público digno e eficiente, precisamos urgente incentivar o ciclismo como transporte alternativo, precisamos parar de tratar sintoma e atacar as causas do problema do trânsito de Florianópolis.
Qualquer pessoas com o mínimo de bom senso consegue entender que não há duplicação que resolva o problema em volta da UFSC que, na minha opinião, acertadamente não se considera responsável por aquele "atravancamento" em sua volta. Alias, vou mais longe, acredito que ela seja muito mais vítima do que causadora. Associam à ela o crescimento urbano em sua volta, mas esquecem que existem órgãos reguladores que deveriam controlar o crescimento urbano. É um absurdo o número de casas que se transformaram em amontoados de kitnet´s para hospedar alunos. Novamente, se o transporte público fosse rápido, eficaz e barato não haveria necessidade dos estudantes se amontoarem (as vezes até sem dignidade) em cubículos para poderem estudar. Tão pouco se permitiria a exploração imobiliária que existe na região por causa disso.
Seria cômico se não fosse trágico, cada vez mais se inventa obra para resolver o problema no trânsito de Florianópolis, quando na verdade o que se está fazendo é empurrar o congestionamento para pontos cada vez mais escondidos, aonde quem sofre verdadeiramente é o morador da cidade. Já perdermos de ser sede de jogos da copa por causa de nossa famigerada falta de mobilidade urbana, será que não conseguem ver que o dinheiro da maldita ponte investido corretamente traria muito mais lucro a nossa sociedade?
Quem deixaria de pegar um ônibus confortável, ágil e barato para ir ao trabalho para usar seu carro, se expondo a riscos, tendo um custo mais alto? Quem deixaria de ter a oportunidade de ler alguns minutos dentro de um ônibus para sofrer nos congestionamentos?
Somos maus administrados por que somos péssimos fiscalizadores. Elegemos e não cobramos, não nos mobilizamos. Permitimos que as bandalheiras sejam feitas as claras debochando claramente de nosso senso crítico, de nossa inteligência e de nossa cidadania.
Em resumo:
MEU DINHEIRO NÃO É CAPIM, DESMONTEM ESSA PONTE.



Nenhum comentário:
Postar um comentário